Casas de US$ 100 milhões: o que uma mansão precisa ter para valer tudo isso?

Casas de US$ 100 milhões: o que uma mansão precisa ter para valer tudo isso?
Casas de US$ 100 milhões: o que uma mansão precisa ter para valer tudo isso? Imagem/IA

Imagine entrar em uma casa de US$ 100 milhões e encontrar piscina de borda infinita, cinema particular, adega, academia e uma garagem repleta de supercarros. Parece suficiente para justificar o preço? No mercado imobiliário dos ultrarricos, não necessariamente.

Quando uma propriedade ultrapassa a barreira dos US$ 100 milhões, o comprador não está pagando apenas pelos metros quadrados ou pela quantidade de comodidades. Endereço, vista, tamanho do terreno, acesso ao mar, arquitetura assinada, segurança e, principalmente, algo impossível de reproduzir em outro lugar ajudam a levar uma residência a esse patamar.

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The One mostra até onde uma mansão pode chegar

Um dos exemplos mais famosos é The One, megamansão construída em Bel-Air, Los Angeles.

A propriedade possui cerca de 105 mil pés quadrados, equivalentes a aproximadamente 9.750 m². Depois de chegar a ser divulgada durante seu desenvolvimento por US$ 500 milhões, foi colocada à venda por US$ 295 milhões e acabou arrematada em 2022 por US$ 126 milhões, antes das taxas do leilão. Com a taxa do comprador, o total ficou próximo de US$ 141 milhões.

A escala ajuda a explicar os números: The One conta com 21 quartos, dezenas de banheiros, várias piscinas, cinema para 50 pessoas, pista de boliche com quatro faixas, boate e um enorme terraço panorâmico. A garagem foi projetada para funcionar quase como uma exposição de automóveis.

O caso também mostra que colocar centenas de milhões de dólares em uma casa não significa que o mercado aceitará automaticamente o preço desejado.

Às vezes, o verdadeiro luxo está do lado de fora

Uma mansão não precisa ter 10 mil m² para ultrapassar US$ 100 milhões.

Em Malibu, uma propriedade projetada pelo arquiteto Richard Meier foi vendida em 2018 por US$ 110 milhões. A residência e a casa de hóspedes somavam cerca de 8 mil pés quadrados — aproximadamente 743 m² — uma fração do tamanho de The One.

O grande diferencial estava na localização: mais de 100 pés de frente para o mar na famosa Carbon Beach, conhecida como “Billionaires’ Beach”.

Esse contraste revela uma das regras do mercado imobiliário de altíssimo padrão: aquilo que não pode ser construído novamente pode valer mais do que aquilo que pode.

Uma piscina pode ser reformada. Uma cozinha pode receber mármore ainda mais caro. Mas não é possível fabricar um novo terreno à beira-mar em uma das regiões mais disputadas da Califórnia.

Quando a casa começa a parecer um resort particular

Nas propriedades de nove dígitos, comodidades que normalmente exigiriam sair de casa passam a fazer parte da residência.

Uma mansão de Beverly Hills anunciada por US$ 100 milhões, por exemplo, foi projetada com boate e cabine para DJ, pista de boliche, cinema para 20 pessoas, salão de unhas, centro de bem-estar, adega envidraçada e uma piscina de cerca de 140 pés de comprimento.

Outro imóvel de Beverly Hills colocado no mercado pelo mesmo patamar oferecia spa, piscinas interna e externa e até uma adega-cofre abastecida com champanhe. Dois automóveis — um Rolls-Royce Dawn e um Lamborghini Aventador Roadster com acabamento dourado — também faziam parte da oferta.

Nesse nível, a casa deixa de funcionar apenas como residência. Ela reúne características de hotel cinco estrelas, clube privado, spa e espaço de entretenimento em um único endereço.

Então, o que faz uma casa valer US$ 100 milhões?

Não existe uma fórmula única.

As transações mais caras mostram que uma propriedade pode chegar a nove dígitos pela combinação de terreno extremamente raro, localização excepcional, privacidade, arquitetura, escala e comodidades extraordinárias.

Em Malibu, o oceano pode ser o principal ativo. Em Manhattan, uma vista praticamente irreproduzível para o Central Park ajuda a justificar preços extraordinários. Em Bel-Air, terrenos enormes e isolados permitem criar verdadeiros complexos residenciais.

No topo do mercado imobiliário, portanto, luxo não significa apenas ter mais.

Significa possuir algo que pouquíssimas pessoas no mundo poderiam comprar — e que talvez simplesmente não exista novamente quando o próximo bilionário decidir procurar.

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