Primeiro Ferrari Luce é vendido por US$ 40 milhões e quebra recorde em leilão

Primeiro Ferrari Luce é vendido por US$ 40 milhões e quebra recorde em leilão
Primeiro Ferrari Luce é vendido por US$ 40 milhões e quebra recorde em leilão. Foto: RM Sotheby’s

A estreia do Ferrari Luce no universo dos colecionadores terminou com um resultado que dificilmente poderia passar despercebido. O primeiro exemplar de produção do modelo, identificado como Chassis 0, foi arrematado por impressionantes US$ 40 milhões durante a Monterey Car Week, na Califórnia.

O valor, equivalente a cerca de R$ 217 milhões em conversão aproximada, estabeleceu um novo recorde para um automóvel novo vendido em leilão. A cifra ganha ainda mais dimensão quando comparada ao preço regular do Luce, que parte de aproximadamente € 550 mil, ou cerca de US$ 640 mil.

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Conforme destacou a Robb Report ao repercutir a venda, o exemplar colocado à disposição dos colecionadores estava longe de ser um Ferrari convencional: além de inaugurar oficialmente a produção do Luce, foi desenvolvido como uma configuração única pelo programa de personalização Tailor Made da fabricante.

De US$ 1,1 milhão para US$ 40 milhões

Antes do evento, o Chassis 0 era avaliado em mais de US$ 1,1 milhão. O resultado final, portanto, superou dramaticamente as expectativas.

O leilão foi realizado pela RM Sotheby’s durante a Monterey Car Week. O Luce acabou ultrapassando inclusive outro resultado histórico recente da fabricante italiana: em 2025, um Ferrari Daytona SP3 exclusivo havia sido vendido por US$ 26 milhões.

Com os US$ 40 milhões alcançados agora, o Luce assumiu o posto de carro novo mais caro já arrematado em um leilão.

Há, porém, uma distinção importante. Ele não é o automóvel mais caro da história dos leilões. Esse recorde permanece com um Mercedes-Benz 300 SLR Uhlenhaut Coupé de 1955, vendido em 2022 por € 135 milhões.

Foto: RM Sotheby’s

O que torna este Ferrari Luce tão especial?

O preço extraordinário não está ligado apenas ao fato de o Luce representar a entrada da Ferrari na era dos carros totalmente elétricos.

O exemplar vendido é oficialmente o Chassis 0, ou seja, o primeiro chassi de produção do modelo. Além disso, foi construído segundo especificações para os Estados Unidos e recebeu um tratamento exclusivo por meio do programa Ferrari Tailor Made em parceria com o Ferrari Design Studio.

Entre os elementos específicos estão uma pintura perolizada Madreperla Semi-Gloss, rodas claras e uma configuração interna desenvolvida especialmente para o automóvel, incluindo acabamento em couro metálico Perla Le Mans.

Na prática, não se trata simplesmente do primeiro Luce que saiu da linha de produção, mas de um exemplar único criado para marcar o início de um dos capítulos mais importantes — e controversos — da história recente da Ferrari.

O primeiro Ferrari totalmente elétrico

O Luce ocupa uma posição inédita dentro da fabricante de Maranello. Ele é o primeiro automóvel totalmente elétrico de produção da Ferrari e também rompe outras convenções da marca ao adotar configuração de quatro portas e capacidade para cinco ocupantes.

O projeto ainda ganhou enorme repercussão pela participação do designer Jony Ive, ex-chefe de design da Apple e um dos nomes ligados à criação da identidade visual de produtos como iPhone e Mac.

Ive trabalhou no projeto por meio da LoveFrom, empresa de design que fundou com Marc Newson. A proposta incluiu uma abordagem que mistura comandos físicos e recursos digitais no interior do veículo.

Um Ferrari que provocou polêmica antes mesmo de chegar às ruas

O Luce foi apresentado em maio de 2026 e imediatamente dividiu opiniões. Seu desenho, proporções e própria proposta elétrica foram considerados uma ruptura particularmente radical com a imagem construída pela Ferrari em torno dos motores a combustão e dos tradicionais esportivos de dois lugares.

A reação chegou ao mercado financeiro: as ações da Ferrari chegaram a cair mais de 8% no pregão seguinte à apresentação do veículo.

Ainda assim, a recepção comercial parece ter seguido direção diferente. Segundo informações publicadas pelo Financial Times, a Ferrari tinha como objetivo comercializar perto de 500 unidades do Luce em 2026, e a demanda teria sido suficiente para atingir a meta anual pouco tempo depois do lançamento.

US$ 40 milhões que irão para projetos educacionais

Existe ainda outro elemento fundamental por trás do valor alcançado: o leilão teve finalidade beneficente.

A Ferrari destinou o Chassis 0 à venda para arrecadar recursos para a Ferrari Foundation. O dinheiro será direcionado a iniciativas educacionais nos Estados Unidos e em outros projetos apoiados pela fundação.

Isso significa que o resultado de US$ 40 milhões não representa simplesmente o preço de mercado de um Ferrari Luce. A combinação de caráter beneficente, exclusividade absoluta, personalização Tailor Made e importância histórica do Chassis 0 criou uma situação praticamente impossível de reproduzir em um exemplar convencional.

Um novo capítulo para os colecionadores de Ferrari

O resultado também mostra como o mercado de carros colecionáveis está deixando de olhar apenas para modelos históricos.

Durante décadas, os maiores valores ficaram concentrados principalmente em Ferraris clássicos com pedigree em competições ou produção extremamente limitada. O Luce inverte parcialmente essa lógica: um automóvel novo e elétrico conseguiu entrar imediatamente para a história dos grandes leilões.

O fato de ser o primeiro exemplar do primeiro Ferrari totalmente elétrico provavelmente teve peso decisivo.

Mesmo cercado por controvérsias desde a apresentação, o Luce conseguiu algo que poucos carros recém-lançados alcançam: transformar sua estreia em um acontecimento histórico para o mercado de colecionadores.

E, por US$ 40 milhões, o Chassis 0 já nasceu com uma posição bastante particular na história da Ferrari.

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